Nesta edição de Cinema Elysée, Antonio Sergio Elysée explora a arte e o cinema indie do diretor Jim Jarmusch.

O cinema de Jim Jarmusch vem do novo cinema americano da Nova Hollywood desde os anos setenta, e de Robert Redford que a disseminou com seu Indie Festival em Sundance.
Então, figuras emblemáticas como Gus Van Saint e, da Dinamarca, Lars Von Trier mudaram e vem mudando a cara do cinema mundial. O tom cool; a promessa de um cinema amador na ”pegada” da construção de uma gramática inovadora, isto é, na busca de uma nova estética de linguagem, despreocupado do mercado tradicional vem vindo na busca de um outro público acalentado na expectativa de mudanças áudio visuais multimídias.
“Sou um diletante e um amador autoproclamado que abraça as variações”. Serve como declaração
destes princípios nas palavras do próprio Jim Jarmusch, a nossa matéria de hoje.
O regime das imagens suntuosas e espetaculares do cinema do mainstream perde o seu folego quando as imagens servem ao jogo de forma a desglamourizar os personagens, os cenários, a aplicação da câmera na leitura do espaço visual e, sobretudo, o tratamento dos roteiros na maneira de aplicar a realidade em um pais caindo aos pedaços em seus valores com a estética esgarçada nos tópicos de heroísmo calcado na figura do herói individualista, retrato negativo da comunidade se elegendo sempre vencedora e se aplica agora no herói marginal com seu humor particular seguindo o traço de um empobrecimento existencial. A busca na trilha do drop out a sua forma de compensação em sua sociedade derrapando na desintegração.
E quando tudo se acalma em um discurso em mãos gentis medindo-se na queda do vitorioso; agora cheio de dúvidas no esquecimento de uma história construída na violência da conquista. Quando os personagens derrapam no evangelho da decadência e da imagem redentora, curiosamente na autopreservação, salvos pelo humor corrosivo que, na medida, os perdoa forçando-os na crítica redentora vendo-se pelo outro lado do espelho: a única possível. A ironia devastadora e a busca por um espaço onde a crítica culmina em uma cinematografia despojada de elementos espetaculares, como no cinema hollywoodiano, mas se fia na construção de uma estética do estranhamento e um distanciamento
dos personagens despejados de uma mitologia americana já desgastada zombando em alta dose, doce e deliciosa, cheio de mistério anárquico, muitas vezes de um humor sarcástico cheio de prazer e afeto, este fim de processo de desumanização, que Jim Jarmusch confere nestes espaços cheios de invenção de figuras alocadas em fundos de vida (bas fonds) curiosos, construídos em função do estranhamento de personagens a deriva. Humor estranho em um terreno sem códigos, que os definam em momentos de decomposição, onde eles não cabem mais, daí que cenários em ambientes fechados que os suportem com suas singularidades. Estabelecendo nos diálogos e composição dos personagens um novo trato de comunicação, sobretudo, a partir de personagens disfuncionais, a sua tradução em novos códigos de sua cinematografia em perfeita tradução sobre as identidades fragmentadas no desvio da modernidade de um capitalismo em derrisão. Desde Down By Law, Strangers in Paradise e agora este Pai Mãe Irmã Irmão de 2025 vem causando.
Mergulhe na história da sétima arte com Cinema Elysée

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