Mestre João Paulo é reconhecido como Patrimônio Vivo

Mestre João Paulo, do Leão Misterioso, conhecido como Papa do Maracatu, foi reconhecido como Patrimônio Vivo de Pernambuco.

O mestre do Maracatu Leão Misterioso está entre os dez novos Patrimônios Vivos escolhidos pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC). A edição de 2026 recebeu 205 candidaturas, o maior número registrado desde a criação do concurso, em 2002. Com o reconhecimento, João Manuel dos Santos se torna o primeiro mestre de Maracatu Rural, como pessoa física, a receber o título em Pernambuco.

A trajetória de Mestre João Paulo está ligada há mais de quatro décadas ao Maracatu Rural. Nascido no Engenho Água Branca, em Vicência, o artista construiu sua carreira em Nazaré da Mata, onde atuou como poeta, mestre e formador de novas gerações. Antes de assumir o apito de mestre, já produzia versos durante o trabalho no corte da cana e participava de disputas de poesia. Sua trajetória na cultura popular passou pelo Boi Coração, em Lagoa do Ramos, e pelo Maracatu Leão Formoso, de Nazaré da Mata, onde começou como contramestre e posteriormente assumiu a função de mestre.

Na semana do Dia Estadual do Maracatu, Nazaré da Mata festeja Mestre João Paulo como Patrimônio Vivo de Pernambuco

Mais tarde, fundou o Maracatu Leão Misterioso, agremiação na qual consolidou seu trabalho e passou a transmitir conhecimentos relacionados aos versos, rimas, improvisos, instrumentos e técnicas de confecção de elementos tradicionais do maracatu, como golas, chapéus e guiadas. Entre os mestres que passaram por seus ensinamentos estão Barachinha e Zé Joaquim. João Paulo também realizou oficinas em São Paulo, Brasília e Belo Horizonte, além de atividades em escolas de Nazaré da Mata.

O reconhecimento também amplia a relação de Nazaré da Mata com o Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco. O município passa a contar com quatro representantes: a Banda Capa Bode, a Banda Revoltosa, o Maracatu Cambinda Brasileira e, agora, Mestre João Paulo. A política, criada pela Lei Estadual nº 12.196, de 2 de maio de 2002, busca reconhecer e salvaguardar pessoas e grupos responsáveis pela preservação e transmissão de conhecimentos e práticas da cultura tradicional e popular.

A entrega oficial dos títulos está marcada para 17 de agosto, durante a abertura da 19ª Semana Estadual do Patrimônio Cultural de Pernambuco.

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