Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria, filme de 2025 com Rose Byrne, Mary Bronstein, ASAP Rocky, Christian Slater e Conan O’Brien.

A fina linha entre a esquizofrenia e a paranoia e seus componentes confundem-se com o estresse de uma sociedade a beira do colapso. Neste filme, uma mãe estressada entre tantas prerrogativas de sobrevivência, física e mental, derivada de seus múltiplos papeis a beira da exaustão. A personagem de Linda em constante choque com uma sociedade, que a desmonta em seus parâmetros de lucidez, e as vezes a escora no uso de alguma droga, mas, a verdade, o remédio de uma sociedade doente sem pontas de contato que a assola constantemente com a quantidade de papeis, aqui bem claramente jogada sobre o espectro feminino de uma mãe cheia de culpa, e que a sociedade que cerca a comprime exercer tantos deles, que o parafuso em que entra, é apenas o molde destravado de suas angustias perdendo-se neste
olimpo caótico, que uma sociedade perfeita, de alta produtividade, exige para o seu cumprimento; mas, ela está só, e as alucinações que irrompem em seu psiquismo são o resultado de uma rosca deformada de compromissos impossíveis e inadiáveis formando esta montanha de atritos imperdoáveis. A filha doente sem remédio que não seja a atenção constante, as suas funções de terapeuta exigindo o máximo de concentração, e o conserto de um estrondo que vem de seu teto, abrindo um buraco onde mora com uma enxurrada de agua, vão aumentando este furúnculo que vem de cima como um castigo divino que não põe limites, ainda girando com a culpa de não poder atender as necessidades de sua função em um tratamento complicado, começam a criar em sua vida uma cela de horrores, sobretudo pela solidão e desamparo em que vive. E aí entra a crítica social com as pessoas preocupadas em seus dominós de ação cotidiana, desvirtuadas da preocupação que ela necessita, para a consecução de todas estas exigências a ponto de romper com o equilíbrio. E este buraco dos céus da paranoia começa e exercer sua carga emocional delirante. O marido distante, o seu terapeuta sem capacidade de escutar a profundidade de sua solidão e desespero, e esta sociedade a exigir o máximo de performance. Aí acaba o registro pessoal e entra a carga dramática do social imperdoável, forjada em uma sociedade exaurida do peso da conquista da competência e da resposta pronta. A girar valores sobre humanos de conduta. Ou, então de uma sociedade a beira do descompasso emocional, desajustada de todas as pontas, no final agudas, de um carretel incomunicável, insondável e massivo de respostas no limite, a construir um castelo a beira da ruina. O filme é longo, pesado e sufocante, mas na medida a dar a atriz, Rose Byrne, de outros trabalhos tocantes, um papel digno de sua entrada na máscara do pesadelo a todos comunicada com grande atuação.
If I Had Legs I’d Kick You (Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria). O fio de Ariadne puxando a saída da caverna da culpa. Filme de 2025. Direção de Mary Bronstein que certamente, de uma forma ou de outra, entra na corrida dos grandes prêmios.
Antonio Sergio Elysée é ator, autor e empreendedor cultural. É o autor de livros como O Abduzido da Praça Ozório e Pandemônio em Curitiba. A partir de agora você poderá acompanhar semanalmente Antonio passeando pela história do cinema, as grandes obras e os grandes autores. Cinema Elysée é uma produção de Estúdio Cênico e NA-NU, com apoio cultural da Padaria América.
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