Confira a história das adaptações de Frankenstein no cinema

Frankenstein no cinema, da primeira versão cinematográfica de 1910, o clássico de 1931, com Boris Karloff, à visão de Guillermo del Toro.

Frankenstein, escrito por Mary Shelley, lançado em 1818, é um clássico da literatura gótica e de horror, e considerada obra inaugural do gênero da ficção científica. Porém a trágica história da criatura e seu criador é talvez tão relevante na história do cinema quanto na literatura. A recente versão dirigida Guillermo del Toro, com Oscar Isaac como Victor Frankenstein, Jacob Elordi como o Monstro e Mia Goth como Elizabeth, reafirma a longevidade da obra em uma singular e sensível adaptação repleta de reverência. Mais um título na longa história de adaptações cinematográficas da narrativa de Shelley.

Jacob Elordi como o Monstro em Frankenstein, de 2025

Pode-se afirmar que as primeiras adaptações da visão da autora para alguma forma de mídia visual tenham sido as belíssimas gravuras produzidas por W. Chevalier, sobre arte de T. Holst, para a 3a edição do livro, publicada em 1831. A imagem que retrata o Monstro e Victor Frankenstein é claramente inspirada na Criação de Adão, de Michelangelo, transformando o momento da criação, no horror do criador.

Gravura de W. Chevalier, sobre arte de T. Holst, para a 3a edição de Frankenstein, publicada em 1831. O despertar do Monstro e Victor Frankenstein

A primeira adaptação da história de Mary Shelley para a recém chegada arte do cinema veio em 1910, com o curta-metragem dirigido por J. Searle Dawley, lançada pela Thomas A. Edison, Inc.(confira o filme completo abaixo).

Mas foi Frankenstein, de 1931, com direção de James Whale e as brilhantes interpretações de Boris Karloff e Colin Clive, que imortalizaram a clássica história na cultura popular. A primeira continuação veio em 1935 com A Noiva de Frankenstein. O estúdio Universal ainda viria a lançar mais seis filmes de Frankenstein no que viria a ser conhecido como a Série Clássica dos Monstros da Universal: O Filho de Frankenstein (1939), O Fantasma de Frankenstein (1942), Frankenstein Encontra o Lobisomem (1943), A Casa de Frankenstein (1944), A Casa de Drácula (1945) e Abbott e Costello Encontram Frankenstein (1948).

Nos anos 1950 a produtora britânica Hammer Film Productions lançou sua série de filmes explorando os monstros clássicos como Dracula, a Múmia e Frankenstein. Em 1957, foi lançado A Maldição de Frankenstein, com Peter Cushing no papel de Victor Frankenstein e Christopher Lee interpretando o monstro. A série de filmes seguiu com A Vingança de Frankenstein (1958), O Mal de Frankenstein (1964), Frankenstein Criou a Mulher (1967), Frankenstein Deve Ser Destruído (1969), O Horror de Frankenstein (1970) e Frankenstein e o Monstro do Inferno (1974). A série da Hammer é apenas vagamente baseada na obra de Mary Shelley, sendo mais focada no cientista Victor Frankenstein e suas criações monstruosas.

Em 1974 a comédia O Jovem Frankenstein, de Mel Brooks, com Gene Wilder como Dr. Frederick Frankenstein e Peter Boyle no papel do Monstro, parodiou e homenageou a série de filmes da Universal. Foi rodado em preto e branco e utilizou como cenário o mesmo castelo de Frankenstein, de 1931.

Frankenstein, de Mary Shelley, de 1994, dirigido e protagonizado por Kenneth Branagh, com Robert De Niro interpretando o monstro, é considerada uma das versões cinematográficas mais fieis à obra de Mary Shelley.

Frankenstein – Entre Anjos e Demônios, de 2014, baseado na graphic novel de Kevin Grevioux, traz uma reinterpretação da história, onde, após a morte de Victor, o Monstro, agora rebatizado como Adan, combate seres sobrenaturais que pretendem destruir o mundo.

Para Guillermo del Toro, Frankenstein “foi uma espécie de religião para mim. Desde criança — fui criado de forma muito católica — nunca entendi direito os santos. E então, quando vi Boris Karloff na tela, entendi como era a aparência de um santo ou de um messias. Desde então, sigo essa criatura, e sempre esperei que o filme fosse feito nas condições certas, tanto criativamente, para alcançar a dimensão que ele precisava, quanto em uma escala que me permitisse reconstruir todo aquele mundo.” Del Toro reconheceu o filme homônimo de 1931 como uma influência formativa, e afirmou que sua versão também se inspira na sequência, A Noiva de Frankenstein.

E assim Frankenstein vive, em um presente onde os limites entre artificialidade e vida se confundem e as discussões éticas a respeito do avanço tecnológico e da ciência são constantes, o conflito entre criatura e criador, proposto por Shelley em 1818, segue relevante como nunca.

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One Reply to “Confira a história das adaptações de Frankenstein no cinema”

  1. Muito boa a análise do histórico desse grande filme Frankenstein, e da sua trajetória para nossa realidade atual.
    Só tenho a agradecer, ao NANU, pelo seu empenho em prol da Cultura.

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