Dança do Universo, de Felipe Antunes, propõe uma experiência sensorial que conecta cidade, corpo e afetos.
O novo trabalho amplia a trajetória autoral do artista ao reunir música e poesia em um percurso narrativo que investiga as relações humanas. Dialogando com elementos da MPB e do samba, o álbum se constrói a partir de vivências cotidianas, encontros e atravessamentos, propondo uma escuta que vai além do individual e se aproxima da coletividade. Canções como Pode Apostar, a faixa-título Dança do Universo, e Quem Tem Vida conduzem esse movimento, articulando temas como liberdade, tempo e convivência.
Ao longo das faixas, Dança do Universo se desenvolve como uma travessia sensorial e política. A abertura com Retalhos apresenta metáforas ligadas às fases da vida e às dinâmicas urbanas, enquanto O Tempo Uma Espiral propõe uma percepção não linear do tempo. Já Todo Corpo Vivo e Quem Tem Vida tensionam questões sociais e existenciais, ampliando o debate sobre resistência e direito à vida. Na parte final, músicas como Eu Me Vingo da Tristeza e Di Dia Ó Di Noti / De Dia, De Noite aproximam diferentes referências culturais e afetivas, reforçando a dimensão coletiva do disco.
Com participações de artistas como Salloma Salomão, Raquel Tobias e Ernesto Dabo, o álbum também evidencia a construção colaborativa de sua sonoridade. Os arranjos e a diversidade instrumental contribuem para criar uma atmosfera que transita entre o íntimo e o expansivo, mantendo o foco na relação entre corpo, espaço e memória.
Disponível nas plataformas digitais, Dança do Universo reafirma o trabalho de Felipe Antunes como um projeto artístico que atravessa música, literatura e performance. O álbum convida à escuta atenta e propõe uma pausa para refletir sobre tempo, coletividade e as experiências que moldam o cotidiano.