Leia a tradução de Still I Rise (Ainda Me Levanto) da poetisa e ativista negra Maya Angelou!

Vem conferir Ainda me levanto (Still I rise), poema de Maya Angelou, traduzido por Walnice Nogueira Galvão aqui no NA-NU!

Maya Angelou é um ícone da literatura e representante da revolução negra estadunidense. Foi também amiga de Martin Luther King e Malcom X, dedicando sua vida à luta pelos direitos humanos do povo negro. Maya Angelou fez da arte meio para expor seus sentimentos oprimidos (e de todo um povo) e transformar a sociedade. Autora de livros de memórias e poesia, a artista  também se envolveu em projetos de teatro, cinema, televisão, dança. Porta voz dos movimentos negros e das mulheres Maya Angelou é mais que uma indicação de leitura, é inspiração pra vida!

Leia agora o poema And Still I Rise publicado em 1978, traduzido Ainda me levanto por Walnice Nogueira Galvão.

Ainda me levanto (And Still I rise)

Podes inscrever-me na História
Em mentiras amargas e retorcidas.
Podes espezinhar-me no chão sujo
Mas ainda assim, como a poeira, vou-me levantar.

Minha impertinência incomoda?
Por que ficas soturno
Ao me ver andar como se tivesse em casa
Poços de petróleo jorrando?

Como as luas e como os sóis,
Como a constância das marés,
Como a esperança alçando voo,
Assim me levanto.

Querias ver-me alquebrada?
Cabeça pensa e olhos baixos?
Ombros caídos como lágrimas,
Enfraquecida de tanto pranto?

Minha altivez o ofende?
Não leve tão a peito assim:
Eu rio como quem minera ouro
Em seu próprio quintal

Podes fuzilar-me com palavras
Podes lanhar-me com os olhos
Podes matar-me com malevolência
Mas ainda assim, como o ar, eu me levanto

Minha sensualidade perturba?
Por acaso te surpreende
Que eu dance como quem tem diamantes
Ali onde as coxas se encontram?

Do fundo das cabanas da humilhação
Me levanto
Do fundo de um pretérito enraizado na dor
Me levanto
Sou um oceano negro, marulhando e infinito,
Sou maré em preamar

Para além de atrozes noites de terror
Me levanto
Rumo a uma aurora deslumbrante
Me levanto
Trazendo as oferendas de meus ancestrais
Portando o sonho e a esperança do escravo
Ainda me levanto
Me levanto
Me levanto

Maya Angelou © Todos os direitos reservados. Tradução: Walnice Nogueira Galvão

Marcha pelos direitos negros em Agosto de 1963, Washington. E.U.A.

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